O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a Índia amanhã, onde acompanhará a maior missão empresarial desde 2023. O objetivo é participar de uma cúpula de inteligência artificial e se reunir com o primeiro-ministro Narendra Modi. A visita marca um esforço do governo brasileiro para ampliar sua presença no mercado asiático, que conta com mais de 1 bilhão de consumidores.
Durante a viagem, Lula buscará negociar novas parcerias comerciais, com foco na abertura do mercado indiano para produtos agrícolas brasileiros, como feijão, frango e soja, além da redução de barreiras tarifárias. A Índia, como maior consumidor mundial de grãos, enfrenta oscilações na produção interna e, com isso, recorre ao mercado externo, apresentando uma oportunidade para o Brasil expandir suas exportações do agronegócio. Atualmente, a Ásia já é responsável por quase metade das exportações do agronegócio brasileiro, e a avaliação no Planalto é de que a expansão comercial no continente é estratégica para o crescimento das vendas externas nos próximos anos.
Além disso, o presidente Lula participará da abertura da cúpula de inteligência artificial, onde os debates estarão voltados para inovação agrícola e cooperação comercial. Após a Índia, Lula seguirá para a Coreia do Sul, onde pretende reforçar as negociações de carne bovina. O movimento do governo brasileiro reflete uma tentativa de diversificar suas parcerias, além do foco tradicional na China, em um contexto de polarização entre Estados Unidos e China.
A missão empresarial à Índia, que contará com mais de 300 empresários, é a maior delegação do setor privado que acompanha o presidente em seus quatro anos de mandato. O comércio entre Brasil e Índia tem crescido, mas ainda está longe do potencial. Lula buscará, portanto, reduzir barreiras sanitárias e tarifas para a exportação de carne de frango, além de expandir um acordo comercial entre Mercosul e Índia, que atualmente é bastante limitado.
Outro tema importante da viagem é a discussão sobre minerais críticos, em um momento em que a China detém o monopólio nesse setor estratégico. O Brasil, que possui a segunda maior reserva do mundo, busca explorar parcerias, especialmente com a Índia, para a exploração e beneficiamento desses minerais, evitando a exportação em estado bruto.
Por fim, a viagem também levanta questões sobre a regulação da inteligência artificial no Brasil, um tema ainda indefinido e que gera debate no Congresso. O país precisa encontrar um equilíbrio entre regulamentação e inovação para garantir competitividade no cenário global, especialmente em um momento em que o mundo discute os impactos da inteligência artificial em diversas áreas.